Sim. O cristão pode ouvir boas músicas feitas
por pessoas que não são necessariamente convertidas. Aliás, muitas das músicas
seculares são mais bíblicas do que as que se dizem “gospel”. Ao mesmo tempo que
uma música gospel pode se mostrar ímpia, profana e blasfema, uma música secular
pode se mostrar inteiramente bíblica. Não encontramos na Bíblia uma separação
entre “músicas do mundo” e músicas que seriam “sagradas”. Essa é uma separação
inventada pelos homens e até mesmo recente. É claro que existe diferença entre as
músicas que ouvimos como forma de entretenimento e o louvor, que consiste em se
direcionar somente a Deus para adorá-lo com nossos lábios (sem instrumentos
adicionais). Músicas seculares são para entretenimento; são para relaxar, se
divertir, etc. Louvor é para ser direcionado somente a Deus, não para diversão
e barulho. Músicas seculares podem conter instrumentos musicais; músicas de
louvor não devem conter instrumentos musicais, e eu explicarei por quê!
É evidente que não são todas as músicas que nos convém ouvir, mas, de nenhuma
forma a Bíblia nos proíbe de ouvir músicas que não se enquadrem em um padrão
criado por homens que classificam certas músicas como sacras ou
gospel e outras como “não sagradas” e profanas.
Temos inteira liberdade para ouvir músicas que não contrariam as verdades da
Palavra de Deus. Elas certamente podem ser ouvidas sem problema. Na Bíblia é
dito que os judeus não somente louvavam ao Senhor, como também cantavam e dançavam
respeitosamente as canções oriundas da nação de Israel.
Como já fora tratado neste livro, no culto a Deus não é permitido instrumentos
musicais, nem danças, nem qualquer representação não estabelecida por Ele mesmo
para culto e ministério. Em contraste com a Igreja, para os judeus o corpo físico
e a demonstração externa de adoração era extremamente importante, e estava
intimamente ligado à religião. No Antigo Testamento, a dança era uma
manifestação de adoração a Deus e comumente utilizada após vitórias militares e
durante celebrações ou festividades. Partindo-se do princípio que Jesus era
judeu e sua pregação estava fortemente ligada aos princípios designados a
Israel, logicamente que Ele também participava de todas as cerimônias judaicas.
O que devemos saber também é que não somente as letras das músicas que ouvimos
devem ser analisadas minuciosamente, como também seus ritmos, visto que existem
ritmos que incitam naturalmente à sensualidade e devem ser evitados e até mesmo
abominados, como no caso do Funk brasileiro, Axé, etc. Se uma música possui uma
letra digna de aceitação por parte da Palavra de Deus, mas seu ritmo leva pessoas
em direção ao pecado, é o mesmo que ouvir músicas com letras satânicas. Da
mesma forma, se o ritmo não te leva ao pecado, mas a letra é profana e pecaminosa,
dá no mesmo. Isso é pecado e ponto final.
Assim como devemos analisar tudo sob a autoridade máxima das Escrituras
Sagradas, com a música não é diferente. Todo cristão deve aprender a ser
seletivo com relação a tudo em sua vida, e não somente à música, separando o
que não é de Deus daquilo que não é de Deus.
Não se trata somente de música. A regra serve para todo tipo de arte (livros,
filmes, peças, televisão e também músicas ditas “gospel”). Existem muitas
coisas que prejudicam a nossa vida espiritual e que não nos edificam. Essas
coisas devem ser rejeitadas para nossa saúde espiritual, seja música, seja
filme, seja programa de TV ou outra qualquer coisa.
Existem músicas chamadas “músicas do mundo” que são lindas e puras, e que não
se enquadram no rótulo “gospel” ou “evangélica”, pois o que existe de
profanação no denominacionalismo evangélico hoje não se pode contar nos dedos.
Há muitas músicas seculares que falam da natureza, do amor, do romance entre
casais casados, dos vários sentimentos da nossa alma, da sociedade e de muitas
outras coisas boas e dignas. Não há pecado algum em ouvi-las.
A Bíblia diz: “Quanto ao mais, irmãos,
tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é
puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se
há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4.8). Isso significa que é mais
do que justo e normativo que busquemos pensar e fazer coisas que nos façam
sentir bem durante a nossa peregrinação na terra. Ora, é a própria Bíblia quem
nos diz isso.
Uma coisa que devemos notar é que vários dos poemas bíblicos não falam
diretamente sobre Deus, mas contém sabedoria e poesia inspiradoras que, no
fim, acabam apontando para a grandeza de Deus. Não há pecado em trazê-las para
dentro de nossos ouvidos.
Paulo ensina que o tipo de separação que os ignorantes fazem entre coisas puras
e impuras nem sempre é correta quando é feita fora do que a Palavra de Deus
ensina: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os
impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência
deles estão corrompidas” (Tito 1.15).
MÚSICAS “GOSPEL” QUE SÃO PIORES
QUE “MÚSICAS DO MUNDO”
As músicas ditas “evangélicas” ou até mesmo “cristãs”, incluindo aquelas que os
religiosos erroneamente chamam de “louvor”, precisam sempre passar por uma
análise criteriosa, pois, muitas delas são de conteúdo profano e antibíblico,
com letras totalmente contrárias aos princípios da Palavra de Deus. Devemos
tomar muito cuidado, especialmente com essas, visto que muita música “gospel” causa
prejuízo à vida espiritual e ensinam heresias de perdição. Esse tipo de
música deve ser rejeitado em todo o seu conteúdo. Ao mesmo tempo, existem músicas
de autores não cristãos que têm ritmos e mensagens extremamente profundas a
respeito das grandezas das coisas criadas por Deus.
Sendo assim, vamos separar as coisas:
1 – Quando se trata do culto e do ministério, Deus não nos permite fazer o que
bem entendemos, como usar instrumentos musicais, cantores celebridades e coisas
parecidas. No Novo Testamento, quando se trata de culto e ministério, esse tipo
de entretenimento não é permitido na congregação. Em outro capítulo, onde
falamos sobre a Igreja e seu funcionamento, deixamos bem claro a forma
estabelecida por Deus para ser adorado nas reuniões entre os santos.
2 – Fora do culto e das reuniões de ensino e disciplina da Palavra, podemos nos
espelhar nos judeus como forma de glorificar a Deus por meio da alegria da
música pura e sem mácula. Deus criou a música para Seu louvor e também para que
o glorifiquemos nisso. Nas celebrações fora do culto, as quais vemos na Bíblia,
sempre tinham músicas.
À parte da reunião dos crentes para adoração e ministério, bem como dos
princípios que regulam o culto, a música pode servir para:
– Se acalmar (1 Samuel 16.23);
– Celebrar eventos importantes (Êxodo 15.20-21);
– Se ligar com o espiritual (2 Reis 3.15).
Finalmente, para lidarmos com essas decisões diárias sobre o que trazemos para
dentro de nós e o que rejeitamos, fica a seguinte passagem:
“Julgai todas as coisas,
retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (1 Tessalonicenses 5.21-22).
POR QUE OS INSTRUMENTOS MUSICAIS
NÃO SÃO PERMITIDOS NO CULTO A DEUS?
Os sacrifícios cristãos não são literais e exteriores como no Judaísmo, mas
sim "sacrifícios espirituais" (1Pe 2.5; Hb
13.15; Jo 4.23; Fp 3.3). Já que o cristão adora "em espírito e em
verdade", ele poderia sentar-se em uma cadeira sem se movimentar, e
mesmo assim poderia ser produzido em seu espírito um verdadeiro louvor e
adoração a Deus por meio do Espírito Santo que habita nele. Esta é a verdadeira
adoração celestial. O cristão não necessita de uma orquestra ou de um coro para
extrair adoração de seu coração, como era o caso de Israel no Judaísmo.
Adorar com o auxílio de instrumentos musicais é adorar da forma judaica.
Misturar o conhecimento e a revelação inerentes ao Cristianismo com a ordem
judaica de adoração (a qual é essencialmente o que a maioria das assim chamadas
"igrejas" fazem) não é Cristianismo autêntico. No Céu não haverá
necessidade de um auxílio mecânico e exterior à adoração a Deus, e os cristãos
tampouco precisam deles agora, pois já estão adorando a Deus do modo celestial.
Por esta razão não encontramos no livro de Atos ou nas epístolas qualquer
referência de cristãos adorando ao Senhor usando instrumentos musicais. E se
alguém alega seguir a doutrina Sola Scriptura (latim – Somente a Escritura),
este alguém deve entender que durante toda a dispensação da graça, a qual
vivemos desde o período de Atos, como Igreja, não nos é ordenado que adoremos a
Deus com instrumentos musicais. Isso não existe na doutrina dos apóstolos como
doutrina nem como norma de culto. Não existe uma menção sequer nas epístolas do
Novo Testamento de uma adoração cristã auxiliada por instrumentos musicais.
Seria obra do acaso que os únicos dois instrumentos mencionados no Novo
Testamento para adoração a Deus sejam o "coração" (Cl
3.16; Ef 5.19) e os "lábios" (Hb 13.15)?
Seria obra do acaso que somente no Velho Testamento (dispensação da lei) e nos
mil anos de reinado de Cristo sobre a terra (dispensação da plenitude dos
tempos) é que os instrumentos musicais aparecem como norma para se cultuar a Deus?
Por que a doutrina dos apóstolos (Atos e Epístolas) faz total silêncio quanto a
instrumentos musicais inseridos na adoração cristã?
No Cristianismo, tudo o que encontramos é "cantando e
salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef 5.19; Cl 3.16).
Somos instruídos a oferecer "sempre por ele a Deus sacrifício
de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome" (Hb
13.15). Mesmo assim, a distinção entre a adoração cristã e o Judaísmo tem sido
ignorada nas denominações religiosas espalhadas pelo mundo. Bandas e até
grandes orquestras passaram a fazer parte integral dos "cultos de
adoração" de nossos dias. Tal modelo de culto é chamado de
"ministério de música", mas o objetivo parece ser mais voltado ao
entretenimento da audiência do que ao – assim chamado – “ministério”. Porém,
onde encontramos um “ministério de música” na doutrina dos apóstolos? A
resposta é óbvia: Em nenhum lugar!
Não somente inexiste qualquer direção na Palavra de Deus para os cristãos
adorarem dessa maneira, como a própria história mostra que a música
instrumental não teve virtualmente qualquer parte no culto cristão durante os
primeiros 1.400 anos! (Há uma total ausência de música instrumental na Igreja
nos primeiros 700 anos, seguidos de uma ferrenha oposição a ela durante os
próximos 700 anos). Foi somente nos últimos séculos que a música instrumental
passou a ser aceita e usada na adoração e na atividade evangelística. A questão
é: Se o chamado "ministério de música" é tão importante para a vida
da assembleia, como a Igreja hoje a considera, por que o apóstolo Paulo não
exortou as assembleias às quais escreveu a adotarem um "ministério de
música" em suas reuniões? E por que não existe qualquer menção disso no
Novo Testamento? Cremos que o uso de instrumentos musicais na adoração – além
de muitas outras coisas inventadas pelo homem que acabaram sendo introduzidas
nos cultos – é uma evidência do distanciamento que as Escrituras nos alertam
que ocorreria com a Igreja. À medida que as coisas no testemunho cristão foram
se afastando da ordem dada por Deus, a música instrumental foi pouco a pouco
conquistando um lugar (porém não sem oposição), até acabar sendo aceita como
normal para a adoração cristã. Ela pode ter sido até introduzida com boas
intenções, mas, mesmo assim, não tem lugar na adoração cristã (não na Bíblia).
Não queremos com isso dizer que o cristão não possa tocar música instrumental
em honra ao Senhor, mas apenas que ela não tem lugar na adoração cristã. J. N.
Darby escreveu: "Se eu puder fazer um pobre pai enfermo dormir com música,
tocarei a música mais bela que puder encontrar; mas ela irá estragar qualquer
adoração ao introduzir o prazer dos sentidos naquilo que deveria ser fruto do
poder do Espírito de Deus".
Podemos sim usar instrumentos musicais para tocar em uma banda de Rock, com
letras com temáticas cristãs e que falem de Deus e de Sua glória, amor,
justiça, juízo, entre outros de seus atributos. Nossa oposição aqui é contra
instrumentos musicais durante as reuniões de culto a Deus. Isso é ir além do
que a Escritura define como culto a Deus na dispensação da graça.
Continua em: Fumar
é pecado?
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SUMÁRIO - O EVANGELHO sem Disfarces
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–– JP Padilha / O Evangelho sem Disfarces
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